O Rosewood São Paulo, onde arte e hospitalidade se entrelaçam como parte essencial da experiência da propriedade, apresenta a exposição “Gabinete de Curiosidades”, desenvolvida pela Ecoarts Amazônia. Com curadoria de Márcia Miguel e Marc Pottier, a mostra acontece de 2 de abril a 1º de julho, na Galeria Filomena, com entrada gratuita e aberta ao público.
Em diálogo com a proposta curatorial do Rosewood São Paulo, a exposição revisita o conceito histórico dos gabinetes de curiosidades dos séculos XVI e XVII. Se, no passado, esses espaços reuniam objetos do chamado “Novo Mundo” sob uma lógica de catalogação e apropriação, aqui a narrativa é ressignificada: a descoberta dá lugar à escuta, e a exploração cede espaço à reconexão com o território.
Concebida por um coletivo de mulheres brasileiras atuantes na região do Alto Xingu, ao norte do Mato Grosso, a Ecoarts Amazônia propõe uma leitura sensível e contemporânea da floresta. As obras transitam entre arte, design e sustentabilidade, revelando não apenas a materialidade da Amazônia, mas também sua dimensão imaterial —aquela construída por memória, tempo e saberes ancestrais.
A exposição se organiza em núcleos que articulam matéria, território e cosmovisão. Em Petrologia, objetos líticos reinterpretados por processos contemporâneos evocam a relação primordial entre humanidade e mineral. Carpoteca apresenta uma coleção de frutos e sementes nativos, reunindo ciência e estética para revelar a diversidade botânica da floresta. Já Xiloteca destaca a riqueza das madeiras amazônicas, convidando à reflexão sobre uso responsável e manejo sustentável.
No núcleo Mitogramas, fenômenos celestes são traduzidos em composições que conectam cosmos e cultura, enquanto Corpos Celestes utiliza luz, escultura e instalação para evocar os ciclos invisíveis que regem a vida na floresta. Por fim, Ela explora o feminin o como força integradora, aproximando natureza, criação e futuro em uma narrativa que articula identidade, coletividade e continuidade.
Mais do que uma exposição, “Gabinete de Curiosidades” se apresenta como um posicionamento. As obras carregam uma estética e uma ética descolonizadas, nas quais criação e preservação caminham juntas. Parte dos recursos arrecadados será destinada à proteção de florestas e bens culturais de povos originários da Amazônia brasileira, reforçando o compromisso socioambiental do projeto.
Ao receber a mostra, o Rosewood São Paulo amplia sua narrativa cultural ao conectar seus espaços a discursos contemporâneos urgentes, reafirmando seu papel como um polo ativo na cena artística e criativa da cidade.
02 de Abril a 01 de Julho
24H
Galeria Filomena - Rosewood São Paulo
Arte & Cultura